Estética trans-aborteira: o aborto no entre das práticas artísticas profanatórias
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21892576Palavras-chave:
estética trans-aborteira, aborto, estética do fracasso, práticas profanatórias, dissensoResumo
Como resultado de uma pesquisa de doutorado, este ensaio procura ir além das bordas estabelecidas para falar sobre aborto e se pergunta sobre a possibilidade de pensá-lo para além do corpo que gesta. Com uma apresentação e uma análise de fragmentos da peça de teatro “El homosexual o la dificultad de expresarse” (2004), do artista argentino Copi, pensamos uma estética trans-aborteira desafiando-a a partir das operações do fracasso - como proposto por Halberstam (2020) - e das práticas artísticas profanatórias, nos dizeres de Agamben (2007). Assim, pensamos o aborto no entre das práticas artísticas que fazem fracassar o dispositivo da maternidade, o sistema sexo/gênero, a cisheteronormatividade, a identidade e o aborto cisgênero. Compondo cenas do dissenso, na proposta de Jacques Rancière (1996), a obra de Copi nos mostra o que podem as vidas que escapam no entre das práticas artísticas, fazendo fracassar tudo aquilo ensurdecido pelo pensamento consensual relacionado ao aborto.
Referências
AGAMBEN, Giorgio. (2007). Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.
BARONE, María Antonella. Narrativas-trans-aborteiras: o aborto desde uma perspectiva trans e uma aproximação queer/cuir. 2022. 200 p. Tese (Doutorado em Psicologia) – Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2022.
COPI (2004). El Homosexual o la dificultad de expresarse (1° ed.) [Título original en francés: L'Homosexual ou La difficulté de s'exprimer (1971), traducción de Joani Hocquenghem]. Ediciones El Milagro.
DELEUZE, Gilles. (2006). O abecedário de Gilles Deleuze. Editoração: Brasil, Ministério da Educação, TV Escola.
FOUCAULT, Michel. (1981). De l'amitié comme mode de vie. In Dits et écrits. Paris: Gallimar, 1994, vol. IV, pp. 163-67. Trad. de Wanderson Flor do Nascimento.
FOUCAULT, Michel. (1982). Herculine Barbin: O diário de uma hermafrodita [Tradução de Irley Franco]. F. Alves.
FOUCAULT, Michel. (2006). Ditos e escritos, volume III: “Estética: literatura e pintura, música e cinema”. Org.: Manoel Barros da Motta. Rio de Janeiro: Forense Universitária.
HALBERSTAM, Jack. (1998). Female masculinity. Duke University Press.
HALBERSTAM, Jack. (2020). A arte queer do fracasso. Cepe.
KASTRUP, Virginia. (2007). O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. Psicologia & Sociedade, 19(1), 15–22. https://doi.org/10.1590/S0102-71822007000100003
LINK, Daniel. (2009). Fantasmas. Imaginación y sociedad. Eterna Cadencia.
MAÇÃO, Izabel Rizzi, ALVIM, Davis, & RODRIGUES, Alexsandro. (2021). Sexos incertos: ambiguidade e diferença na autobiografia de Herculine Barbin. Revista Periódicus, 1(16), 21–50. https://doi.org/10.9771/peri.v1i16.42974
MATIAS, Aline Tavares, BARONE, María Antonella & RODRIGUES, Alexsandro. (2021). Fazendo ruir o dispositivo da Maternidade e (re)inventando maternagens possíveis: Narrativas infames e potentes! Revista Internacional Interdisciplinar INTERthesis, 18(1), 1–18. https://doi.org/10.5007/1807-1384.2021.e76033
MÉLLO, Ricardo Pimentel. (2018). Cuidar? De quem? De quê? A ética que nos conduz. Curitiba: Appris.
PIMENTEL, Renata. Copi: transgressão e escrita transformista. Rio de Janeiro: Confraria do Vento. 2ª ed. (revista e ampliada), 2022.
PRECIADO, Paul (2002). Manifiesto contra-sexual [Traducción del francés de Julio Díaz y Carolina Meloni]. Editorial Opera Prima.
PRECIADO, Paul. (2019). Lixo e Gênero, Mijar/Cagar, Masculino/Feminino [Trad. de Davi Giordano e Helder Thiago Maia]. eRevista Performatus, Inhumas, 7(20). Edição de Mãe Paulo
RANCIÈRE, Jacques.(1996). O desentendimento. Editora 34.
RANCIÈRE, Jacques. (2005). A partilha do sensível: estética e política [Tradução de Mônica Costa Netto]. EXO Experimental / Editora 34.
RANCIÈRE, Jacques. (2010). O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual. Autêntica.
ROLNIK, Suely. (1998). Por um estado de arte a atualidade de Lygia Clark. In: Núcleo Histórico: Antropofagia e Histórias de Canibalismos, pp. 456-467. Fundação Bienal de São Paulo.
ROSENZVAIG, Marcos. (2003). Copi: sexo y teatralidad. Biblos.
RUBIN, Gayle. (1986). El tráfico de mujeres: notas sobre la "economía política" del sexo. Nueva Antropología, VIII (30), pp. 95-145.
RUBIN, Gayle. (1989). Reflexionando sobre el sexo: notas para una teoría radical de la sexualidad. In: Vance, (Org.), Placer y peligro (pp.113-191). Revolución.
SCHÉRER, René, & HOCQUENGHEM, Guy. (1979). Co - ire, álbum sistemático de la infancia (2° ed.) [Traducción de Alberto Cardín]. Editorial Anagrama.
THEUMER, Emmanuel. (2018). O útero tomado de assalto. In: María Antonella Barone & Beatriz De Barros Suza (Orgs.) Sangrias pp. 94-97. Pedregulho Editora.
VÁSQUEZ, Henry Ferney (2020). El teatro de Copi: procesos y estrategias trans. Una aproximación queer. Tesis Doctoral del Programa Doctoral en Lenguas, Literaturas, Cultura y sus Aplicaciones en régimen de co-tutela Internacional - Universitat de València; Universitè de Strambourg. Disponible en: https://dialnet.unirioja.es/servlet/tesis?codigo=292667
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Cadernos do LPPP UFJ está licenciada com Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional







