A clínica esquizoanalítica como prática política: patriarcado, gênero e cartografias do cuidado
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23607803Palavras-chave:
esquizoanálise, clínica política, cartografia, violência de gênero, decolonialidadeResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre a clínica psicológica a partir da perspectiva esquizoanalítica, tomando como eixo analítico o patriarcado enquanto máquina de produção subjetiva e de violência de gênero. Sustentamos que a clínica não pode ser concebida como prática neutra, técnica ou descolada do campo social, mas, ao contrário, encontra-se atravessada por relações de poder que configuram modos de subjetivação e de captura de vida. Nesse sentido, problematizamos como o atendimento clínico dirigido a mulheres em situação de violência doméstica exige um posicionamento ético-político que ultrapasse a dimensão individualizante e reconheça a inseparabilidade entre sofrimento psíquico e contextos históricos, sociais e decoloniais. A discussão se fundamenta no diálogo entre a filosofia da diferença, feminismos decoloniais e interseccionais, assim como em produções críticas da psicologia política. Pretende-se, com isso, evidenciar a clínica como espaço de resistência, criação e cuidado capaz de tensionar as formas instituídas de opressão e abrir brechas para práticas de subjetivação mais livres e potentes.
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