Vulnerabilidade social, cuidado e a psicologia: a política de saúde da mulher em análise
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22938800Palabras clave:
Vulnerabilidade social; cuidado de si; subjetividade; psicologia; PAISMResumen
Observa-se que ao longo da história recente de inserção nas políticas públicas, a psicologia, muitas vezes, adotou uma abordagem assistencialista, atendendo demandas urgentes sem promover mudanças sociais sistêmicas. A partir disso e considerando os desafios enfrentados pelo psicólogo nas políticas públicas, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, este artigo propõe investigar como a psicologia pode resistir a modelos de subjetividade impostos pelo contexto sócio-histórico-cultural, utilizando o conceito de cuidado de si de Michel Foucault. Para tanto, direcionamos nosso foco para o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), de forma a analisar sua concepção e materialização dos possíveis lugares da psicologia nesse contexto. Apesar da proposta partir de uma tese de integralidade, as iniciativas relativas à saúde da mulher centram-se na maternidade, sem explorar outras formas de cuidado de si. Concluímos que é necessário repensar o papel do psicólogo, promovendo um cuidado coletivo, fortalecimento de vínculos e autonomia.
Citas
AMARANTE, Paulo; WHITAKER, Robert. Desmedicar: a luta global contra a medicalização da vida. Rio de Janeiro: Editora Zagodoni, 2024.
ANDRADE, Eliane Oliveira de; GIVIGI, Luiz Renato Paquiela; ABRAHÃO, Ana Lúcia. A ética do cuidado de si como criação de possíveis no trabalho em Saúde. Interface - comunicação, saúde, educação, v. 22, n. 64, p. 67–76, jan. 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/1807-57622016.0643.
AYRES, José Ricardo de C. Cuidado: trabalho e interação nas práticas de saúde. Interface - comunicação, saúde, educação, v. 8, n. 14, p. 73-92, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2011001000024.
BRANDÃO, Elaine Reis; CABRAL, Cristiane da Silva. Juventude, gênero e justiça reprodutiva: iniquidades em saúde no planejamento reprodutivo no Sistema Único de Saúde. Ciência & saúde coletiva, v. 26, n. 7, p. 2743-2752, jul. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232021267.08322021. Acesso em: 20 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP. Censo Escolar da Educação Básica 2019: Resumo Técnico. Brasília, DF: INEP, 2020. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/resumo_tecnico_censo_escolar_2019.pdf. Acesso em: 20 jun. 2025.
__________. Ministério da Saúde. Política nacional de atenção integral à saúde da mulher: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
__________. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, a Rede Cegonha. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011_atual.html. Acesso em: 12 set. 2025.
BUENO, Samira; LIMA, Renato Sérgio (Coords). Anuário brasileiro de segurança pública. Fórum Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2024.
BUTLER, Judith. Vida precária: os poderes do luto e da violência. Tradução de Andreas Lieber. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
CEDEÑO, A. L. Reflexões sobre autogestão e Psicologia Comunitária na América Latina. Psicologia social e institucional (impresso), v. 1, n. 2, 1999.
COSTA, Rayne da Conceição; GONÇALVES, Jonas Rodrigo. O direito à saúde, à efetividade do serviço e à qualidade no acesso às políticas públicas de atenção à saúde da mulher. Revista JRG de estudos acadêmicos, v. 2, n. 4, p. 119, jan.-jun. 2019. ISSN 2595-1661. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.4458722.
FOUCAULT, Michel. Do governo dos vivos. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
__________. História da loucura. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1978.
__________. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
__________. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1999.
FRANCO, Elizabete; CASTRO, Cláudia Medeiros de. Aproximações entre saúde da mulher e psicologia: reflexões a partir da experiência na formação de profissionais de saúde. In: PEREIRA, Diamantino (Org). Estudos e ações transdisciplinares em três dimensões. São Paulo: Repositório da reprodução USP, abril de 2019. p. 17-30.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento. Rio de Janeiro: Fiocruz, [s.d.]. Disponível em: https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/. Acesso em: 05 mai. 2025.
GALVÃO, Bruno Abilio. A ética em Michel Foucault: do cuidado de si à estética da existência. Intuitio, v. 7, n. 1, p. 157–168, 2014. DOI: https://doi.org/10.15448/1983-4012.2014.1.17068.
GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 1996.
HILLESHEIM, Betina; SOMAVILLA, Vera da Costa; DHEIN, Gisele; LARA, Lutiane de. Vulnerabilidade social. Psicologia em revista (impresso), v. 15, n. 1, p. 196-211, 2009.
KLEIN, Michele Moreira de Souza GUEDES, Carla Ribeiro. Intervenção psicológica a gestantes: contribuições do grupo de suporte para a promoção da saúde. Psicologia: ciência e profissão, v. 28, n. 4, p. 862–871, 2008. Disponível em: https://pepsic.scielo.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1414-98932008000400016. Acesso em: 12 set. 2025.
LEAL, Márcia Helena et al. Comparação da política nacional de atenção integral à saúde da mulher com política nacional de atenção básica: um olhar para saúde das mulheres em situação de rua. In: Congresso internacional da rede unida, 14., 2020, Niterói. Anais. Niterói: Rede Unida, 2020. 2 p.
LIMA, Isabela Brito; BARBOSA, Valéria Raquel Alcantara. Psicologia em saúde no cuidado gravídico-puerperal em internação obstétrica de alto risco: experiência à luz da Resolução CFP n° 17/2022. Revista eletrônica acervo saúde, v. 23, n. 3, p. e12177, 28 mar. 2023. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e12177.2023.
LORDE, Audre. O uso do erótico: o erótico como poder. In: LORDE, Audre. Irmã outsider: ensaios e palestras. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Elefante, 2020. p. 55-66.
MIANI, Luiza Farias; SILVA, Rafael Bianchi; ANDRADE, Anyelle Karine de. Psicologia e vulnerabilidade: a redução de danos e o SUAS. Psi Unisc, v. 7, n. 1, p. 34-49, 2023. DOI: https://seer.unisc.br/index.php/psi/article/view/17069.
MOREIRA, Virginia. Grupo de encontro com mulheres vítimas de violência intrafamiliar. Estudos de psicologia (Natal), v. 4, n. 1, p. 61–77, jan. 1999.
NARDI, Henrique Caetano; SILVA, Rosane Azevedo Neves da. A emergência de um saber psicológico e as políticas de individualização. Educação & realidade, [S. l.], v. 29, n. 1, 2004. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/25425. Acesso em: 29 nov. 2023.
PAULON, Simone Mainieri; ROMAGNOLI, Roberta. Quando a vulnerabilidade se faz potência. Interação em psicologia, Curitiba, v. 22, n. 3, dez. 2018. ISSN 1981-8076. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/psi.v22i3.56045.
PELBART, Peter Pál. Como viver junto em tempos sombrios? In: DUARTE, Luisa (Org). Leituras: Comunidades imaginadas. São Paulo: Sesc, 2019. p. 178-190.
PEREIRA, Potyara Amazoneida. Política social: temas & questões. Cortez, 2011.
PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e justiça internacional. São Paulo: Saraiva, 2013.
PLAN INTERNATIONAL. Pesquisa Real Choices/ Real Lives aponta que meninas não podem falar abertamente sobre sexo e educação sexual. Plan international, 2 de fevereiro de 2023. Disponível em: https://plan.org.br/noticias/pesquisa-real-choices-real-lives-aponta-que-meninas-nao-podem-falar-abertamente-sobre-sexo-e-educacao-sexual/. Acesso em: 20 jul. 2024.
RAGO, Margareth. Feminismo e subjetividade em tempos pós-modernos. Poéticas e políticas feministas, n. 1, Mulheres, vol. 1, p. 31-42, 2004. Disponível em: https://www.historiacultural.mpbnet.com.br/feminismo/Feminismo_e_subjetividade.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024.
ROLNIK, Suely. Toxicômanos de identidade: subjetividade em tempo de globalização. In: LINS, Daniel (Org). Cultura e subjetividade: saberes nômades. Campinas: Papirus, 1997. p. 19-24.
ROMAGNOLI, Roberta Carvalho; NEVES, Claudia Elizabeth Abbês Baeta; PAULON, Simone Mainieri. Intercessão entre políticas: psicologia e produção de cuidado nas políticas públicas. Arquivos brasileiros de psicologia, Rio de Janeiro, v. 70, n. 2, p. 236-250, 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672018000200017. Acesso em: 22 mar. 2024.
SILVEIRA, Katia Gregório Bittencourt; DIAS, Maria Sara de Lima. As categorias da Psicologia Social Comunitária como dispositivo para a construção das práticas no SUS. Revista Psicologia e Saúde, Campo Grande, v. 8, n. 1, p. 7-13, 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.20435/2177093X2016106.
SILVA, Magali Milene. A saúde mental e a fabricação da normalidade: uma crítica aos excessos do ideal normalizador a partir das obras de Foucault e Canguilhem. Interação em psicologia, v. 12, n. 1, 2008. Disponível em: https://scholar.google.com/citations?view_op=view_citation&hl=pt-PT&user=Z3Qldf0AAAAJ&citation_for_view=Z3Qldf0AAAAJ:_FxGoFyzp5QC. Acesso em: 22 mar. 2024.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Cadernos do LPPP UFJ está licenciada com Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional







