O que pode um morto? Um esboço esquizoanalítico para escutar vidas não encerradas
DOI :
https://doi.org/10.5281/zenodo.21903390Mots-clés :
Crontracolonial, Existência, Máquinas desejantes, MortoRésumé
O trabalho investiga como os mortos, cientificamente relegados ao lugar passivo de memória psíquica, podem ser compreendidos como agentes de desejo, produção e transformação. Propõe-se uma mudança de perspectiva: a morte deixa de ser um encerramento absoluto e passa a ser entendida como um evento que transforma um regime de existência. Por meio de autores inseridos em um pensamento contracolonial, o texto defende que os mortos participam ativamente de agenciamentos que atravessam os vivos, os territórios, os afetos e as instituições. A esquizoanálise é uma ferramenta que permite pensar os mortos como máquinas desejantes e como força que atua na produção de sentidos, narrativas e modos de vida. As práticas contracoloniais surgem como formas potentes de escuta e reativação dessas presenças, rompendo com dispositivos históricos e epistemológicos de apagamento. O artigo defende que escutar os mortos é mais do que elaborar a perda: é reconhecer sua agência no presente, sua capacidade de intervir no real e de convocar os vivos à reinvenção do mundo. Pensar com os mortos torna-se, assim, um gesto político, estético, ético e ontológico das resistências e das coabitações.
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