As instituições estão funcionando? Reflexões socioanalíticas sobre o atual cenário político brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21904910Palavras-chave:
Instituições; crise; micropolítica; autogestãoResumo
Este artigo baseia-se numa reflexão sobre a retórica de normalidade institucional no Brasil contemporâneo, especialmente após o governo Bolsonaro e os ataques de 8 de janeiro de 2023. A partir da Análise Institucional, o texto contrapõe ao discurso de estabilidade sustentado por ministros do Supremo Tribunal Federal, a constatação da crise de legitimidade e de sentidos que atravessa as instituições democráticas. Neste movimento, diferencia a dimensão instituída — composta pelas estruturas burocráticas e normativas do Estado — da dimensão instituinte, entendida como o plano coletivo de forças e base fundadora das práticas sociais. Argumenta que, embora o aparato estatal continue operante, ele se distancia das forças instituintes que lhe conferem vitalidade, produzindo um esvaziamento do vínculo entre as instituições e a sociedade. A crise não é, portanto, apenas política, mas simbólica e subjetiva, revelando o predomínio do instituído (face burocratizante) sobre o instituinte. De modo que a leitura socioanalítica nos propõe deslocar o foco da análise macropolítica para a micropolítica, colocando em evidência as práticas coletivas e autogestionárias como estratégias de reinvenção institucional e de reconstrução democrática. Tal formulação se constitui a direção no que concerne à atuação no campo das instituições.
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