Abacates, Pinhões e Bergamotas: por uma esquizoanálise situada
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22279817Palabras clave:
Esquizoanálise; práticas situadas; decolonialidade; frutificaçõesResumen
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre os limites da perspectiva esquizoanalítica quando aplicada em territorialidades brasileiras, seja nas possibilidades de práticas clínicas individuais ou coletivas. Embora a esquizoanálise ofereça ferramentas potentes para a desconstrução de modelos normativos de subjetivação, por si só não constitui uma abordagem decolonial, principalmente pelos limites de sua construção ocidentalizada e fundamentada em epistemes hegemônicas. Propomos, através desse campo crítico, refletir sobre possíveis composições dessa perspectiva com o arquivo decolonial, situando suas potências com as necessidades do território brasileiro em sua pluriversidade. Propomos, então, uma torção conceitual que frutifica a esquizoanálise através de três operadores materiais: o abacate, que desloca a clínica hegemônica em ritmos de amadurecimento; o pinhão, comida-comum que tece resistências; e a bergamota, repartida entre mulheres em ocupações urbanas como gesto político. Essas frutas, longe de metáforas, são teóricas locais que exigem uma escuta enraizada na pluriversidade dos territórios. Concluímos que estas frutificações podem oferecer pistas para uma clínica nômade que recusa a universalidade em favor de uma esquizoanálise situada, na qual o cuidado se faz no tempo do amadurecimento, na resistência e na ética coletiva.
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