Movimentos aberrantes e a luta por terra: diálogos entre a filosofia da diferença e os campesinos excluídos da história fundiária do RS

Autores/as

  • José Ricardo Kreutz Universidade Federal de Pelotas
  • Gustavo Warken Borges Universidade Federal de Pelotas
  • Miguel Delanoy Polidori Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Arthur Righi Cenci Universidade Federal de Pelotas
  • Diulia Hüttner Wolter Universidade Federal de Pelotas

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21889047

Palabras clave:

camponês, terra, movimentos aberrantes

Resumen

O presente artigo pretende relacionar a filosofia da diferença ao contexto rural do Rio Grande do Sul até a Lei de Terras de 1850, provocando uma leitura do camponês como personagem conceitual que anima movimentos e não como classe que representa um estrato social. Assim, pretende-se dar visibilidade aos personagens históricos da luta pela terra e relacioná-los com práticas e conhecimentos contracoloniais contemporâneos, sobretudo por uma lupa conceitual dos movimentos aberrantes e inconsciente colonial. Para tanto, foi realizada uma leitura da bibliografia rural gaúcha com método cartográfico. Tal revisão revela que os sujeitos implicados na exclusão do direito à terra podem ser concebidos como movimentos aberrantes, já que formam grupos com maneiras singulares e de múltiplos modos de organização para sobreviver ao atual sistema capitalista e que foram invisibilizados da história rural brasileira. Por conta disso, este texto reitera a necessidade de repensar a maneira de olharmos esses movimentos históricos pela historiografia, em um cenário ético-político de devastação do campo e de práticas exploratórias do uso da terra.

Biografía del autor/a

José Ricardo Kreutz, Universidade Federal de Pelotas

Professor Associado do curso de Psicologia da UFPEL, doutor em Educação pela UFRGS, mestre em psicologia social e institucional pela UFRGS, coordenador do grupo TELURICA [Territórios existenciais em limiares urbanos e rurais: in(ter)venções em coexistências autorais] da UFPEL.

Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5446-4503

Lattes: http://lattes.cnpq.br/9776019859019148

 

Gustavo Warken Borges, Universidade Federal de Pelotas

Graduando em Psicologia na Universidade Federal de Pelotas no estágio final da graduação, participante do grupo de pesquisa TELURICA.

Orcid: https://orcid.org/0009-0009-1329-9738

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5557210500626152

 

Miguel Delanoy Polidori, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicólogo, graduado pela UFPel. Mestre e doutorando em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS.

Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9859-979X

Lattes: http://lattes.cnpq.br/4283542607492288

 

Arthur Righi Cenci, Universidade Federal de Pelotas

Psicólogo graduado pela UFPEL.

Orcid: https://orcid.org/0009-0004-7563-3213

Lattes: http://lattes.cnpq.br/4823965475273872

 

Diulia Hüttner Wolter, Universidade Federal de Pelotas

Psicóloga graduada pela UFPEL.

Orcid: https://orcid.org/0009-0003-5850-6418

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1335481630974013

Citas

ALBUQUERQUE, André Duarte Pereira de. Pindorama: perspectivas de um indigenista brasileiro. Goiânia: Phoenix, 2021.

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

DUVAL, Henrique Carmona; FERRANTE, Vera Lúcia Silveira Botta; BERGAMASCO, Sonia Maria Pessoa Pereira. Revisitando interpretações sobre o campesinato: constrangimentos e perspectivas de autonomia. Cadernos CERU, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 9-26, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.11606/issn.2595-2536.v26i2p9-26. Acesso em: 27 jul. 2025.

FERNANDES, Bernardo Mançano. A ocupação como forma de acesso à terra. Revista NERA, Presidente Prudente, ano 4, n. 5, p. 1-15, 2001. Disponível em: https://www2.fct.unesp.br/nera/publicacoes/fernandes_ocupacao.pdf. Acesso em: 27 jul. 2025.

LAPOUJADE, David. Existências mínimas. Tradução: Hortência Santos Lencastre. 1. ed. São Paulo: n-1 edições, 2021.

LAPOUJADE, David. Movimentos aberrantes. Tradução: Laymert Garcia dos Santos. 1. ed. São Paulo: n-1 edições, 2021.

LONER, Beatriz Ana; GILL, Lorena Almeida; SCHEER, Micaele Irene. Enfermidade e morte: os escravos na cidade de Pelotas, 1870-1880. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, p. 133-152, dez. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-59702012000500008. Acesso em: 22 jan. 2025.

MARX, Karl. O 18 de Brumário de Luís Bonaparte. In: GIANNOTTI, José Arthur (Org.). Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 329-418. (Os Pensadores).

MOLET, Cláudia Daine Garcia. O litoral negro do Rio Grande do Sul: campesinato negro, parentescos, solidariedades e práticas culturais (do século XIX ao tempo presente). São Leopoldo: Oikos, 2020.

NÚÑEZ, Geni. Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar. 6. ed. São Paulo: Paidós, 2023.

OSÓRIO, Helen. Apropriação da terra no Rio Grande do Sul: conflitos e resistência. São Leopoldo: Oikos, 2012.

OSÓRIO, Helen. Formas de vida e resistência dos lavradores-pastores do Rio Grande no período colonial. In: MOTTA, Márcia; ZARTH, Paulo (Org.). Formas de resistência camponesa: visibilidade e diversidade de conflitos ao longo da história. v. 1: Concepções de justiça e resistência nos Brasis. São Paulo: Editora UNESP; Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Agrário, NEAD, 2008. p. 43-62.

REIS, João Carlos. Historiografia e Quilombo na obra de Beatriz Nascimento. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em História) – Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Foz do Iguaçu, 2019. Disponível em: https://dspace.unila.edu.br/items/0f8a7547-a208-432b-bf9d-848986df9acd. Acesso em: 27 jul. 2025.

ROLNIK, Suely. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. 1. ed. São Paulo: n-1 edições, 2018.

RÜCKERT, Fabiano Quadros. A colonização alemã e italiana no Rio Grande do Sul: uma abordagem na perspectiva da História Comparada. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, Rio Grande, v. 5, n. 10, 2013. Indisponível em: https://periodicos.furg.br/rbhcs/article/view/10541. Acesso em: 27 jul. 2025.

SAGRILO, Lauro Pereira. Origem e evolução da pecuária de corte no Rio Grande do Sul. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Veterinária, Porto Alegre, 2015. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/127079. Acesso em: 27 jul. 2025.

SHANIN, Teodor. A definição de camponês: conceituações e desconceituações – o velho e o novo em uma discussão marxista. Revista NERA, Presidente Prudente, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.47946/rnera.v0i7.1456. Acesso em: 27 jul. 2025.

SILVA, Paula de Souza Santos Graciolli. O profano no sagrado: representações da vida camponesa em Les Très Riches Heures du duc de Berry (século XV). Mirabilia Ars, Barcelona, n. 7, p. 46-69, 2017. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7426416. Acesso em: 27 jul. 2025.

Publicado

2026-08-17

Cómo citar

Kreutz, J. R., Warken Borges, G., Delanoy Polidori, M., Righi Cenci, A., & Hüttner Wolter, D. (2026). Movimentos aberrantes e a luta por terra: diálogos entre a filosofia da diferença e os campesinos excluídos da história fundiária do RS. Cadernos Do LPPP UFJ, 3, e0302. https://doi.org/10.5281/zenodo.21889047